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O irmão de Qandeel Baloch, webcelebridade paquistanesa morta no último sábado (17), admitiu ter cometido o assassinato da jovem porque ela não aceitava parar de postar fotos e vídeos sensuais nas redes sociais. No país muçulmano conservador como o Paquistão, as selfies de Baloch provocavam polêmica e quebravam tabus.

“Não estou envergonhado. É claro que a estrangulei”, afirmou Muhammed Wasseem em coletiva de imprensa organizada pela polícia. Ele foi preso no sábado (16) e confessou ter cometido o “crime de honra”. As informações são do tabloide “Daily Mail”.

O irmão da paquistanesa declarou tê-la matado na casa da família, no primeiro andar, enquanto seus pais dormiam no piso superior da casa. “Eram aproximadamente 22h45 quando dei um tablet para ela e a matei”, disse Muhammed. Ele definiu o comportamento de Qaandeel como “completamente intolerável”.

Assassinato
 
A polícia registrou o caso como assassinato, baseada em uma queixa por escrito de seu pai, em que ele acusa o filho de matar a irmã por motivo de honra, “porque queria que ela abandonasse o showbiz”.

Centenas de mulheres são mortas por motivo de honra anualmente no Paquistão. Os assassinos não costumam ser punidos, por causa de uma lei que permite à família da vítima perdoar o agressor, que costuma ser um parente.

A cineasta Sharmeemn Obaid-Chinoy, cujo documentário sobre crimes de honra ganhou um Oscar este ano, classificou o assassinato de Qandeel como sintoma de uma “epidemia” de violência contra as mulheres no Paquistão.

Qandeel se tornou famosa no Paquistão em 2014, quando publicou um vídeo em que olhava para a câmera de forma sensual e perguntava como estava sua aparência.

Seu desafio às tradições e sua defesa de visões liberais lhe renderam vários admiradores entre a população jovem.

Mas em um país onde as mulheres lutam por seus direitos há décadas, e em que ataques com ácidos e crimes de honra são frequentes, ela também era rejeitada por muitos e costumava ser vítima de misoginia.

Qandeel causou polêmica em junho, ao posar para selfies com um clérigo, que foi severamente repreendido pelo Ministério de Assuntos Religiosos do país.

No começo do ano, ela prometeu fazer um striptease se a seleção de críquete do Paquistão vencesse a Índia em um campeonato, mas a equipe não conseguiu o feito.

Em entrevista ao principal jornal de língua inglesa do Paquistão, “Dawn”, a jovem contou que foi obrigada a se casar aos 17 anos, com “um homem rude”, com quem teve um filho e de quem acabou se divorciando.

Ela falou repetidamente em deixar o país por temer por sua segurança. Segundo o jornal, seu pedido de proteção policial foi ignorado.

Sharmeemn Obaid-Chinoy disse à agência AFP que o crime mostra que nenhuma mulher estará a salvo no Paquistão “até que comecemos a mandar para a cadeia os homens que as matam”.

G1
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